segunda-feira, 19 de março de 2007

BCP vs BPI

Este blog nasceu depois do fim da OPA da Sonae sobre a PT. Com alguma tristeza nossa, qualquer comentário que possamos fazer sobre esse assunto estará já desactualizado. No entanto, decorre ainda uma OPA que opõe o Millenium BCP e o BPI.

Antes de mais, o que é uma OPA? Para os mais desatentos OPA significa Oferta Pública de Aquisição e é uma operação através da qual uma sociedade pretende comprar uma participação ou a totalidade das acções de uma empresa cotada em Bolsa.
Estas operações acontecem porque existem duas formas de gerar ganhos em bolsa: comprando acções a um preço e vendendo-as a um preço superior ou receber os lucros na proporção da participação (se eu tenho acções que representam 2% do capital de uma empresa e essa empresa decide distribuir pelos accionistas 100.000€ de lucros, eu recebo 2.000€)

A oferta de aquisição tem que ser “pública” por duas razões. Em primeiro lugar porque as empresas cotadas em bolsa são geralmente repartidas por vários accionistas (qualquer pessoa pode ter em seu poder acções de determinada empresa). Em segundo lugar porque estas operações têm que ser analisadas por entidades que regulam a concorrência nos sectores afectados.
Por exemplo, na OPA da Sonae sobre a PT, concretizando-se a operação deixaria de existir nas telecomunicações móveis três operadores (Optimus, TMN e Vodafone) para passarem a existir apenas dois (Optimus+TMN e Vodafone), já que a TMN pertence à PT e a Optimus integra a Sonae.

Neste sentido, a Autoridade da Concorrência (AdC) foi chamada a pronunciar-se para evitar a diminuição da livre concorrência e a natural subida de preços dos produtos. Esta entidade impôs, então, algumas condições para validar a operação, de modo a garantir o bem-estar dos consumidores.

Com a OPA do BCP sobre o BPI passa-se exactamente a mesma coisa: para permitir a operação a AdC aplicou alguns “remédios”:

1) Venda das participações do BCP (com 30%) e do BPI (com 18%) na Unicre (a maior empresa portuguesa especializada na gestão e emissão de cartões de pagamento).
2) Venda de 60 sucursais do BPI
3) Venda de uma carteira de clientes empresariais (PME) de 450 milhões de euros
4) Não cobrança de comissões pela rescisão de contas para com o futuro banco

Este assunto será acompanhado com maior detalhe. A AdC deu “luz verde” à operação, seguir-se-á uma guerra em que ganha quem apresentar mais dinheiro aos accionistas. Aguardam-se novos desenvolvimentos.
Luís Martins

4 comentários:

Martelo disse...

Brilhante explicaçao. Gostei

Nicolau disse...

Segundo sei, há muitos clientes do BPI que ameaçam fechar as contas caso a OPA vá para a frente. Em causa está um aspecto que não referiste no teu post (bastante esclarecedor, na minha opinião): as culturas. Estes dois bancos têm culturas muito diferentes um do outro - os clientes do BPI sentem que têm as suas posses num banco mais familiar, preocupado e honesto do que o BCP possa vir a ser. Claro que em última instância trata-se da imagem que o público tem dos bancos, mas nenhum cliente confia o seu dinheiro a um banco que sinta que o vai tentar enganar.

Pedro Pereira disse...

É relevante, nestas condições, pensar na criação de uma nova entidade bancária que utilize os Activos dos remédios da AdC!

RR disse...

Esclarecedor. Oxalá que a OPA vá pra frente, a ver se Portugal consegue ter um banco com algum peso europeu( o único banco com grande peso europeu em portugal e o santader).
isto o que e giro também, é o facto desta operações "relâmpago" demoram um ano a resolverem-se lol
a bem da economia nacional que ganhe o BCP ( força teixeira pinto LOL)